Petróleo opera em baixa, após alta forte do pregão anterior

O petróleo opera em território negativo nesta sexta-feira, devolvendo parte dos ganhos robustos registrados na sessão anterior. Além disso, a menor demanda graças às chuvas trazidas pela tempestade Harvey contribui para derrubar o preço dos contratos.

Às 7h55 (de Brasília), o petróleo WTI para outubro recuava 1,00%, a US$ 46,76 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para novembro caía 0,59%, a US$ 52,55 o barril, na ICE.

Na quinta-feira, o contrato do WTI subiu 2,74% e o do Brent teve alta de 4,20%. O relato de que havia aumentado o nível de cumprimento do acordo de corte na oferta liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) influiu, bem como um recuo na produção da Líbia.

Em geral, porém, os preços do petróleo têm sido penalizados desde a chegada da tempestade Harvey, que chegou a ter força de furacão, mas agora é uma depressão tropical. As chuvas fortes que atingiram o Texas, importante região para o setor de petróleo, prejudicaram a demanda, já que várias refinarias tiveram de ser fechadas. O contrato do WTI sofreu mais nos últimos dias, o que aumentou a diferença de valor entre ele e o Brent.

Os preços de petróleo enfrentará mais pressão nas próximas semanas, já que os estoques dos EUA devem aumentar, segundo analistas do Commerzbank. “As importações de petróleo e a produção no Golfo do México devem ser retomadas novamente mais rápido que o processamento do petróleo”, comentaram em nota nesta sexta-feira os analistas do banco. “Isso poderia lançar uma dúvida sobre a redução do excesso de oferta e pesar sobre os preços do petróleo”, acrescentaram eles.

Os futuros de gasolina, por sua vez, continuam a avançar, por causa do fechamento de refinarias e oleodutos graças à depressão tropical Harvey. O contrato de gasolina para setembro subia quase 14%, após oito dias seguidos de ganhos, o que impulsionou os preços para as máximas em dois anos.

“Há interrupções muito graves na oferta e não sabemos quanto tempo isso irá durar”, disse Olivier Jakob, diretor-gerente da consultoria Petromatrix, comentando o risco de falta de gasolina nos EUA. “Nós não tínhamos um episódio como esse desde 2005”, disse, referindo-se aos furacões Katrina e Rita e seus impactos no mercado do petróleo.

Estrategista de commodities do ING Bank, Warren Patterson disse que, após o furacão Rita em 2005, levou dois meses até a taxa de operação das refinarias nos EUA voltar aos níveis anteriores. Desde a chegada de Harvey há uma semana, as chuvas já atingiram mais de 20% da capacidade de refino dos EUA, segundo analistas.

Fonte: IstoÉ Dinheiro