Aumento dos combustíveis é mais alto nas distribuidoras do que nos postos de Curitiba, aponta ANP

Os reajustes nos preços dos combustíveis em Curitiba, entre outubro de 2017 e janeiro deste ano, foi maior nas distribuidoras do que nos postos.

O G1 analisou as planilhas divulgadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e descobriu que, nesse período, o combustível que mais encareceu foi o etanol.

O preço médio do combustível renovável nos postos saiu de R$ 2,70 por litro, em outubro, para R$ 2,962, na última pesquisa divulgada pela ANP, no dia 9 deste mês. A variação de preço nesse período atingiu 9,7% nas bombas.

Já nas distribuidoras, a média de preço partiu de R$ 2,41 para R$ 2,71, nesse mesmo período. A alta chegou a 12,49%, no atacado.

A mesma situação se repete com a gasolina, cujo preço no varejo era de R$ 3,781 e chegou a R$ 4,018, um aumento de 6,27%.

Nas distribuidoras, o reajuste no mesmo período atingiu 8,86%, partindo de R$ 3,466 em outubro para R$ 3,773 em janeiro deste ano.

Sentindo no bolso

O motoboy Silvio Cabral, que faz fretes diariamente entre as cidades de Curitiba e Colombo, na Região Metropolitana da capital paranaense, diz que está se esforçando para manter a mesma tabela de preços há dois anos.

Segundo ele, o prejuízo já chega a 20%.

Ele conta que nos quase 18 anos em que trabalha na área, nunca sentiu um impacto tão grande no preço da gasolina, em relação ao trabalho.

“A pessoa para me pagar um frete, hoje, não quer saber se a gasolina subiu. Ela quer que eu mantenha o preço lá embaixo. Eles não podem aumentar o produto deles. A logística entra para o custo deles também”, diz.
Para minimizar as perdas, ele explica que tem feito fretes de várias empresas ao mesmo tempo entre as duas cidades. Assim, economiza com o número de viagens.

No entanto, isso causa prejuízo, pois evita pegar fretes emergenciais, que saem mais caro aos clientes, mas gerariam lucro maior ao motoboy.

Subiu tudo

O levantamento mostra que, nesse período, todos os combustíveis tiveram aumento de preços. Tirando o GNV, em que o preço da distribuidora não é divulgado, no diesel comum e no diesel S10, o reajuste nos postos também é menor que o das distribuidoras.

No caso do GNV, o reajuste entre outubro e janeiro foi de 4,94%. No primeiro mês da análise, o valor do metro cúbico era, em média, de R$ 2,449. Já na última pesquisa, a ANP aponta que o preço chegou a R$ 2,57.

O diesel comum subiu de R$ 3,002 e chegou a R$ 3,092, em média, nos postos curitibanos. A variação chegou a 2,99%. Nas distribuidoras, o reajuste foi de 4,41%.

Já o diesel S10, indicado para veículos fabricados a partir de 2012, teve reajuste de 1,96% nas bombas de combustíveis e de 3,90% nas distribuidoras. No varejo, o preço do litro foi de R$ 3,158 para R$ 3,220.

Pesquisar é a melhor saída

Para o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Jackson Bittencourt, a melhor saída para quem quiser tentar economizar ainda é a pesquisa de preços.

Na última pesquisa da ANP, por exemplo, o valor da gasolina comum podia ser encontrada desde R$ 3,89 até R$ 4,29.

No entanto, segundo o professor, é preciso buscar postos que fiquem próximos aos caminhos que os motoristas fazem com mais frequência.

“Em 10 centavos, talvez não pareça uma diferença muito grande na hora, mas faz muita diferença no fim do ano”, diz.
Segundo Bittencourt, as constantes altas nos combustíveis estão atreladas a diversos fatores.

Atualmente, os principais são os impostos e a variação cambial. No caso das tarifas, isso aconteceu devido às dificuldades financeiras que vários estados estão passando.

Já a variação cambial tende a atingir principalmente os derivados de petróleo, pois ainda que produza o mineral, o Brasil não consegue refinar todo o combustível que chega aos postos e precisa importar.

“Existe um conceito que vários países usam que é o de ter uma paridade internacional. Nós seguimos muito o preço internacional, ficamos de olho no que acontece nos preços dos Estados Unidos, por exemplo”, diz o professor.
O professor também afirma que há a possibilidade de que, num futuro próximo, os postos de gasolina venham a repassar aos consumidores a diferença de reajuste das distribuidoras.

Risco de inflação

Bittencourt também aponta que os constantes aumentos no preço dos combustíveis podem gerar reajustes de outros produtos para os consumidores, desde alimentos até o transporte coletivo.

Em nota, o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis) reclamou da atual política de preços da Petrobras. Segundo a entidade, desde que a Petrobras implementou os reajustes diários de preços, no dia 3 de julho de 2017, já houve 125 alterações nos valores da gasolina e 129 no diesel.

“De julho até agora, a alta acumulada nas refinarias da Petrobras foi de 24,80 % na gasolina e de 27,40% no diesel, sem contar aumentos de impostos. Diante deste quadro, os postos têm sido frequentemente questionados para prestar esclarecimentos sobre os aumentos, quando na verdade estas explicações decorrem de políticas da Petrobras e dos repasses das companhias distribuidoras”, diz a nota.

Para a entidade que representa os empresários, tais mudanças atrapalham o planejamento financeiro dos postos. “Os postos representam o último elo desta cadeia antes do consumidor final, e também o lado mais exposto. São também o agente com menor poder econômico – e por consequência – menor poder de interferência na variação de preços”, afirma o Sindicombustíveis.

Ainda de acordo com o sindicato, quando eventualmente o reajuste anunciado pela Petrobras prevê redução de preços, isso nem sempre chega aos postos.

“De forma geral, as empresas distribuidoras têm repassado os aumentos aos postos com agilidade, enquanto demoram mais ou não repassam as tendências de baixa. A partir disso, como o mercado é livre, cada posto trabalha com os aumentos o baixas conforme sua própria política de preços”, diz a entidade.

Fonte: Portal G1

Samuel Nunes